Sabrina Orlandin | Nutri Materno Infantil

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Meu filho(a) não quer comer. E agora?

03.Abr

Meu filho(a) não quer comer. E agora? | Sabrina Orlandin Nutricionista Materno-infantil

Meu filho(a) não quer comer! Mas qual o porquê desta falta de apetite? Bom, temos alguns fatores: o primeiro passo é verificar se a falta de apetite não é por motivos de saúde, por exemplo: na estação do inverno, gripes e resfriados são frequentes, consequentemente, o apetite diminui. Essa condição será passageira e, após a recuperação, a criança voltará a se alimentar normalmente.

Mas, caso a criança estiver saudável e aparentemente sem nenhuma doença, podemos levar em conta os dois fatores abaixo.

- É muito importante que as mães e os pais compreendam que talvez a criança esteja vivendo uma fase de transição chamada por alguns autores de miniadolescência. Essa fase geralmente ocorre entre 1 ano e meio e 3 anos e a criança começa a querer tomar decisões sozinhas e muitas vezes começa a medir forças com os pais! E qual é a área que geralmente mais nos tira do sério? A alimentação.
- Outro fator importantíssimo é que até um ano de idade, o ritmo de ganho de peso e crescimento da criança é muito acelerado. A partir desta idade, as curvas de crescimento são mais estáveis, ou seja, não ganham peso e nem crescem tanto em um mês como no primeiro ano de vida. Essa diminuição do ritmo de crescimento influencia na necessidade energética e na fome dos pequenos que, geralmente, perdem um pouco de interesse pela comida, deixando muitas mães preocupadas.

Dicas para enfrentar essa fase sem perder as rédeas da situação

- Nunca ofereça muita comida à criança - ela tem o estômago pequeno;
- Oferte alimentos variados. A oferta de pouca variedade de alimentos dificulta o estímulo ao paladar;
- Varie o cardápio. A mesma comida, todos os dias, não desperta o interesse;
- Incremente o prato com algum alimento de cor diferente daquele que você ofereceu anteriormente;
- Retire o que ele não comer sem fazer comentários;
- Ofereça as refeições em ambientes tranquilos e sem distrações, como televisão e brinquedos;
- Respeite um intervalo mínimo de 2 a 3 horas entre as refeições para que a criança sinta vontade de comer;
- É necessário ter rotina, mas não é preciso tanta rigidez. Caso a criança esteja muito agitada ou cansada, espere um pouco mais para oferecer a refeição;
- Hortaliças cozidas e cruas devem ser oferecidas em todas as refeições, mesmo que a criança não aceite, só não a obrigue a comer;
- Lembre-se: é melhor que ele coma em pequena quantidade alimentos ricos em nutrientes do que uma grande quantidade de alimentos não saudáveis;
- Deixe a criança comer com as mãos. Ela se diverte manipulando a comida e vê nesse momento uma ocasião prazerosa e agradável;
- Convide seu filho para ajudar na compra e na preparação da comida ou de sucos. Vocês podem ir juntos ao mercado para escolher os ingredientes. Em casa, deixe que ele lave os alimentos. Identifique cada um deles, compare os formatos, o bem que fazem para o organismo. A intimidade ajuda muito a aguçar a curiosidade pelos sabores;
- Conte histórias. Diga quais animais comem cada um dos alimentos, como são cultivados, se nascem na terra, nas árvores etc.;
- Aprenda receitas. Faça tortas, suflês, sopas e caldos ou bolinhos com os alimentos. Depois que o seu filho experimentar e gostar, conte que ali estava o alimento que ele pensou que não fosse bom. A ideia de misturar legumes no feijão e fazê-lo comer sem saber resolve o problema nutricional, mas não ajuda a resolver a tensão na hora da refeição;
- Deixe os alimentos saudáveis à mão. Quando seu filho tem fome ele sabe bem onde ficam os biscoitos, certo? Deixe as frutas cortadinhas e fáceis de acessar também. A fruteira tem que estar ao alcance das crianças;
- Dê o exemplo. Não adianta pedir para seu filho comer cenoura se você está comendo um sanduíche. Ele naturalmente irá querer comer o lanche, pois se você despreza a cenoura, é porque o outro alimento deve ser mais gostoso.

O que não fazer para que seu filho tenha a atitude de “não querer comer”

- Não ofereça sucos nas refeições. Espere a refeição acabar para dar ao pequeno um copo de suco;
- Não usar estratégias como chantagens para que a criança aceite a refeição;
- Não se desespere e comece a oferecer guloseimas no lugar de comida, isso é uma grande cilada;
- Não substitua a refeição principal por leite ou lanches;
- Não insista ou obrigue seu filho a comer. Assim, a criança irá associar que a hora da refeição é angustiante e não prazerosa;
- Não faça comida especial para a crianças. Cozinhar alimentos em separado nunca será uma boa opção. Elas tenderão a achar que o que está no prato delas não tem a mesma graça e podem se sentir excluídas;
- Não esqueça que uma alimentação excessiva pode resultar num adolescente obeso, que futuramente irá procurar um especialista para emagrecer. Considere também que a necessidade energética da criança vai diminuindo com o passar dos anos;
- Em vez de se culpar, mantenha a calma e entenda que a inapetência faz parte do desenvolvimento infantil. Lembre-se que a QUALIDADE dos alimentos é mais importante que a QUANTIDADE. Busque oferecer alimentos ricos em nutrientes, para que o “pouco” consumido seja integralmente aproveitado.

Uma boa dica nesse processo é conversar com um nutricionista, que entenda as carências e as necessidades do pequeno, auxiliando você nesse processo.

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